Resenha: O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini

o-cacador-de-pipasTítulo: O Caçador de Pipas

Título Original: The Kite Runner

Autor: Khaled Hosseini

Páginas: 365

Editora: Nova Fronteira

Ano de Lançamento:2003

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    Sinopse: “O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.”

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Todos os ávidos leitores podem apontar alguns livros que o marcaram. Quando uma história mexe de verdade com você, não tem como não guardá-la com  carinho entre suas recordações. Isso aconteceu comigo ao ler O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini. A emocionante história de Amir, um menino rico de Cabul, Afeganistão, e de Hassan, o filho do empregado do pai de Amir, é sem dúvida uma das melhores obras que eu já li, mas isso é minha opinião pessoal. Mas eu duvido que qualquer pessoa que já leu esse livro possa dizer que nem de leve lhe tocou o coração.

A história acompanha Amir de sua infância em Cabul até ele se instalar nos EUA, fugindo com seu pai da invasão soviética no Afeganistão no final da década de 1970 e início da década  1980. A amizade entre Amir e Hassan é o ponto central do livro. É um relacionamento retratado de uma maneira muito interessante. De lado vemos o Amir que só consegue enxergar em Hassan um criado que lhe faz companhia, mas que não chega a considera-lo seu amigo. Do outro temos o fiel Hassan, um garoto que vive e respira por Amir, por quem ele faria qualquer coisa devido ao seu amor por ele. Essa relação desencadeia vários sentimentos conflitantes em Amir, até que um dia, um acontecimento horrível muda a vida dos dois para sempre.

A narrativa se desenvolve fluída e suavemente. O livro é muito bem escrito. O autor faz uma descrição primorosa do Afeganistão, de Cabul, detalhando maravilhosamente a cidade, a cultura (em especial o torneio de pipas de Cabul) e as etnias do povo afegão. O personagens são inseridos nesses cenários incríveis de forma cativantes, que explora muito bem a diversidade do país.

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Khaled Hosseini

Os personagens são bem desenvolvidos. Amir é cheio de contradições, medos e angustias. Hassan é simplesmente de uma fidelidade, lealdade e amor intermináveis. Outros personagens são retratados muito bem como Baba (o pai de Amir), Ali (pai de Hassan), Rahim Khan (um amigo de Baba que simpatiza muito com os meninos), Soraya (esposa de Amir). Eu dou um destaque também para o principal antagonista, Assef. Eu nunca senti tanta raiva de um personagem como senti desse.

Você chegar a acompanhar  os dramas e dificuldades desses personagens com uma certa angustia. Acontecem injustiças tão grandes com personagens tão bons que você fica muito revoltado. Alguns atos de Amir fazem até brotar um pouco de raiva, mas tudo o que ele faz é compreensível devido a personalidade e caráter que esse personagem desenvolve.  A narrativa é uma montanha russa de emoções.

O desenrolar da trama pode te tocar profundamente. O final também. Eu não sou de chorar, mas confesso que o final desse livro quase me arrancou algumas lágrimas, mas isso não quer dizer que ele tenha me emocionado pouco. Certamente vai emocionar você também. Eu recomendo fortemente esse livro para todos. É uma história que com certeza vai te marcar para sempre.

Também vale a pena dar uma conferida no filme de 2007. É uma ótima adaptação.

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Cartaz do filme de 2007

Nota: 9,5/ 10

Espero que vocês tenham gostado da resenha. Peço desculpas por ter dado uma sumida nessa ultimas semanas. Fiquei bastante ocupado e não tive tempo para escrever. Nos comentários você pode colocar sua opinião sobre a resenha, diga se gostou ou não gostou, diga o que você acha que possa melhorar, alguma sugestão para uma próxima resenha, uma crítica, uma bronca, algo construtivo para podermos melhorar o blog. Obrigado por lerem. Até logo.

Resenha: O Chamado do Cuco – Robert Galbraith

o-chamado-do-cucoTítulo: O Chamado do Cuco

Título Original: The Cuckoo’s Calling

Autor: Roberth Galbraith

Páginas: 448

Editora: Rocco

Ano de Lançamento: 2013

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    Sinopse: ” Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso.

Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.

Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P. D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios.

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Já faz alguns meses que esse livro causou um grande reboliço no meio literário. Depois de algum tempo sem chamar muita atenção do público, esse promissor romance policial existem outros mistérios além da sua história. Foi revelado que Robert Galbraith é na verdade a mundialmente conhecida autora J. K. Rowling. Obviamente, depois dessa revelação, o livro caiu nas graças da legião enorme de fãs da autora.

A trama acompanha o detetive particular Cormoran Strike, um ex-soldado do exército britânico que perdeu uma perna em combate. Ele é contratado para investigar a morte de Lula Landry, uma supermodelo que supostamente teria se suicidado. Têm início então uma intrigada investigação que liga Strike ao mundo dos multimilionários e celebridades, enquanto ele mesmo tem que lidar com sérios problemas pessoais.

    A trama do livro é muito bem desenvolvida. O livro é cheio de personagens densos, com muitos conflitos. Tramas paralelas são muito bem narradas em conjunto  com a trama principal. Os problemas amorosos, falhas de caráter de Strike, Robin ( a cativante secretária temporária do detetive) e de outros personagens secundários são elementos que aproximam o leitor da história e dos personagens. Os protagonistas enfrentam problemas que muitas pessoas passam e isso faz com que o leitor simpatize com eles.

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J. K. Rowling
“Robert Galbraith”

   O mistério que move o livro em si é notório, engenhoso, perspicaz mas é pouco empolgante. Strike se prova um bom detetive, mas está bem longe dos grandes, como Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Sua linha de investigação é bem batida, embora o fato de ele nunca revelar seus progressos em relação a resolução do crime a ninguém mantêm o suspense por todo o livro. Mas a revelação final não deixou de ser surpreendente, como todo bom romance policial deve ser. O livro se destaca mesmo em retratar a os conflitos dos personagens e a vidas das celebridades inglesas, cheias de glamour e frescuras.

    A história é bem simples, não é difícil  de ler nem acompanhar a linha de investigação de Strike. Ela é dotada de um certo sentimentalismo melancólico. Já foi anunciado um continuação para o livro, que provavelmente se tornará uma série. Embora esse livro não tenha sido completamente satisfatório, vejo muito potencial no livro e estou esperanço com a continuação. Acho que a autora pode melhorar bastante nos próximos livros. Embora o Chamado do Cuco seja um bom livro, que vale a pena ser lido, acredito que a autora não mostrou tudo o que é capaz nesse gênero literário e que ainda não se provou completamente nele. Mas não dá para discutir, ela com certeza é uma das melhores e mais famosas escritoras da atualidade, e já mostrou ao mundo seu talento imenso  anteriormente, o que só me faz acreditar que essa nova série também será magnífica.

Nota: 7/10

   Espero que vocês tenham gostado da resenha. Nos comentários você pode colocar sua opinião sobre a resenha, diga se gostou ou não gostou, diga o que você acha que possa melhorar, alguma sugestão para uma próxima resenha, uma crítica, uma bronca, algo construtivo para podermos melhorar o blog. Obrigado por lerem. Até logo.

Resenha: As Aventuras de Pi – Yann Martel

As aventuras de Pi Livro capasTítulo: As Aventuras de Pi

Título Original: Life of Pi

Autor: Yann Martel

Páginas: 371

Editora: Nova Fronteira

Ano de Lançamento: 2001

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    Sinopse: ” Um dos romances mais importantes do século, As aventuras de Pi é uma narrativa singular de Yann Martel que se tornou um grande best-seller. O livro narra a trajetória do jovem Pi Patel, um garoto cuja vida é revirada quando seu pai, dono de um zoológico na Índia, decide embarcar em um navio rumo ao Canadá. Durante a viagem, um trágico naufrágio deixa o menino à deriva em um bote, na companhia insólita de um tigre-de-bengala, um orangotango, uma zebra e uma hiena. A luta de Pi pela sobrevivência ao lado de animais perigosos e sobre um imenso oceano é de uma força poucas vezes vista na literatura mundial.”

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Imagine que você estava em um navio e ele naufraga. Você consegue se salvar em um bote sava-vidas mas você fica à deriva no Pacífico por 227 dias. Você acha que teria forças para sobreviver? Difícil, não é? Complicaria mais se eu dissesse que você teria que passar por isso tudo na agradável companhia de um tigre-de-bengala adulto e com muita fome?

As Aventuras de Pi, de Yann Martel, é muito mais que uma história de sobrevivência e superação. É uma história sobre as coisas inacreditáveis, extraordinárias e além da nossa mera existência, que regem a natureza e a vida na Terra, que nos inspira e faz nos sentir pequenos diante de tanta vastidão no mundo. O autor conta de uma forma incrível uma história fantástica que vale a pena ser lida e relida.

A narrativa acompanha Piscine Molitor Patel, um jovem indiano que vive com sua família em um zoológico, o qual seu pai é o dono. Posso dizer que faz muito tempo que eu não me cativo e simpatizo tanto com um personagem quanto esse. Acompanhar o crescimento de Pi ( apelido do personagem) na primeira parte do livro é inspirador. O modo como ele vive entre os animais do zoológico, os entende e compreende é encantador. O modo como ele se apega a cultura e a religião é muito curioso. Pi é hindu, cristão e muçulmano. Pode parecer esquisito,  mas a forma como o personagem vê as religiões e seus sentimentos puros em relação a elas é de uma certa forma o que dá vida a narrativa. Existem diversos acontecimentos na infância de Pi que são fundamentais em momentos mais adiante no livro, pois vão determinar como ele irá enfrentar a grande aventura no Pacífico.

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Yann Martel

A descrição dos personagens, cenários, e animais ( pois muitos aparecem ou são citados no livro) é simples, de uma forma primorosa. Confesso que sempre tive um fraco pela Índia e por suas maravilhas, então a primeira parte do livro, que se passa boa parte na Índia, foi estonteante. Mas no quesito cenários, o mais estarrecedor é o Oceano Pacífico, que muda constantemente. Em um momento está uma calmaria total e mortal e em outro aparece uma tempestade terrível e mais mortal ainda.

As “desventuras” de Pi começam quando o pai de Pi decide que a família Patel vai se mudar para o Canadá. Mas durante uma tempestade, o navio em que eles estavam afunda, e Pi se vê em um bote com uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre em meio ao maior Oceano do planeta. Se você entende um pouco de cadeia alimentar pode descobrir o que acontece com esses outros bichos. O âmago do livro é a convivência entre Pi e Richard Parker (o tigre) em um bote pequeno em um ambiente hostil.

É  muito interessante acompanhar tudo o que Pi tem que fazer para sobreviver. Essas coisas podem de levar do medo ao nojo. O conflito psicológico  que ele enfrente chega a ser angustiante. Cada dia na jornada de Pi é uma luta  por água e comida, não só para ele mas também para Richard Parker. As peripécias de  Pi pela sobrevivência são uma grande demonstração de engenhosidade e garra.

Pi passa por diversas aventuras e adversidades no Pacífico, algumas inimagináveis, até ser resgatado. O livro termina de uma forma simples, mas brilhante. É o que essa história é, simples mas ao mesmo tempo grandiosa. O bom é saber que depois de tudo isso o personagem teve um final feliz. Vale muito a pena ler essa emocionante história.

E eu recomendo muito o filme homônimo de 2012. O filme capta a essência dá história de uma forma belíssima visualmente. Não é a toa que esse filme foi o maior ganhador dos Oscar no ano passado.

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Poster do filme de 2012

Nota: 9,5/10

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Resenha: Vinte Mil Léguas Submarinas – Júlio Verne

capa_FINALTítulo: 20 Mil Léguas Submarinas

Título Original: Vingt  Mille Lieus Sous les Mers

Autor: Júlio Verne

Páginas: 456

Editora: Zahar

Ano de Lançamento: 1869

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Sinopse: “Verdadeiro clássico da ficção científica, o livro narra as aventuras do Capitão Nemo, um enigmático e brilhante homem que construiu um submarino e com ele dedicava-se a percorrer os mares, estudando e desbravando o fundo dos oceanos.

O romancista francês Júlio Verne conseguiu “profetizar” muitos avanços científicos – o submarino, a televisão, viagens espaciais. Recebeu, com justiça, o título de criador da ficção científica. Embora a obra de Verne se dirigisse basicamente a um público juvenil e popular, a crítica moderna realça a enigmática beleza de muitos de seus romances. Curiosamente, Verne nunca saiu da França, embora seus relatos narrassem, com incrível exatidão, as mais distantes regiões do planeta. Ele uniu ao vigor narrativo sua convicção no progresso da humanidade.”

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O escritor francês Júlio Verne (ou Jules Verne) é considerado o pai da ficção científica. sua incríveis histórias são lidas até hoje ao redor do mundo. Posso citar como seus livros mais conhecidos Viagem ao Centro da Terra, A volta ao Mundo em 80 Dias e 20 Mil Léguas Submarinas, obra que focarei hoje. Esse livro pode ser considerado uma das maiores aventuras da literatura mundial. Uma incrível jornada como essa merece mesmo ser lida até hoje.

A narrativa acompanha Professor Aronnax, o criado Conseil e o arpoador Ned Land. Esses três estavam em um navio que estava caçando um misterioso monstro marinho, que estava afundado inúmeras embarcações pelo mundo. Quando o navio deles é atacado pelo monstro, os três são lançados ao mar. Eles são resgatados pelo suposto “monstro marinho”, que na verdade era um submarino com uma alta tecnologia, inconcebível para a época, comandado pelo misterioso Capitão Nemo. Esse livro acompanha o “cativeiro” desses personagens no Nautilus, através dos sete mares, passando por inúmeras experiencias únicas que nenhum outro ser humano jamais ousou imaginar.

Com certeza o mais legal do livro são os cenários. Ao longo do livro, o fundo do mar é descrito de uma forma tão linda e rica que deixa o leitor embasbacado. e o melhor é que os cenários submarinos estão sempre mudando com o passar da viagem o que faz com que o leitor se deslumbre com as maravilhas dos mares por muito tempo. Algumas descrições podem ser bem difíceis para alguns entenderem, pois o autor às vezes abusa na linguagem científica rebuscado ao falar sobre os peixe as plantas e tudo mais, mas isso pode ser um empecilho irrelevante comparando-se a grandiosidade dos espetaculares cenários marinhos.

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Júlio Verne

Vivenciar essa viagem com os personagens é muito  estimulante. Os três são prisioneiros, não podem sair do submarino, mas podem andar livremente dentro dele. Essa liberdade limitada é uma espécie de dilema do livro. Por um lado eles querem muito voltar para casa, mas por outro lado, anseiam por descobrir os mistérios dos oceanos que só no Nautilus poderão ver. Aronnax, como acadêmico, está mais propenso a ficar e seu criado está disposto a segui-lo, enquanto Ned está mais propenso a fugir na primeira oportunidade. O embate entres esses pontos de vista são um conflito muito interessante do livro.

Os protagonistas são bem interessantes. O Professor é inteligente e curioso, Conseil é submisso e tranquilo e Ned é forte e vivaz. Mas sem sombra de dúvidas o personagem  mais interessante da história é o Capitão Nemo. Ele é um homem de expressão,um homem muito culto e inteligente, um homem corajoso e aventureiro e ao mesmo tempo tem um temperamento inconstante e é cercado por inúmeros mistérios. A maioria desses mistérios só será revelada em outro livro de Verne, A Ilha Misteriosa, portanto o capitão é um mistério do começo ao fim do livro.

A viagem em si é emocionante. a viagem pelos mares é bem longa, então inúmeros acontecimentos empolgantes ocorrem. Eles passam por praticamente todos os oceanos e enfrentam diversos desafios, como ataques de tubarões, canibais e lulas gigantes. Vão ao Pólo Sul e até a lendária Atlântida. O número de acontecimentos, aventuras e desventuras daria uma lista enorme.

Outro ponto legal do livro é a previsão tecnológica, uma característica marcante de Verne. Ele ficou conhecido por prever avanços tecnológicos em seus livros que eram impensáveis no século 19, mas que surgiram anos mais tarde. nesse livro temos muito disso, e o leitor fica curioso para saber como o autor pensou em aparatos tecnológicos que nem tinham surgido na época.

Tente não ter uma overdose de aventura com esse livro. O nível é alto do início ao fim. O final é eletrizante e fecha a história com maestria. Cuidado para não ficar viciado em Verne depois da leitura desse livro como eu fiquei. pode ter certeza  que você irá gostar das outras inúmeras aventuras deste autor, e eu espero logo colocar mais resenhas dele aqui no blog.

Como esse livro é um tanto antigo, existem muitas edições no Brasil, algumas compiladas, outras com o texto integral. Eu recomendo que você leia a edição da editora Zahar (a do iníci da resenha) que é muito boa. Vale muito a pena ler esse livro.

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Nota: 9/10

Espero que vocês tenham gostado da resenha. Nos comentários você pode colocar sua opinião sobre a resenha, diga se gostou ou não gostou, diga o que você acha que possa melhorar, alguma sugestão para uma próxima resenha, uma crítica, uma bronca, algo construtivo para podermos melhorar o blog. Obrigado por lerem. Até logo.

Filipe Faria

Resenha: Anjos e Demônios – Dan Brown

Dan_Brown_anjos-e-demonios[1]    Título: Anjos e Demônios

    Título Original: Angels & Demons

    Autor: Dan Brown

    Páginas: 464

    Editora: Sextante

    Ano de Lançamento: 2000

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    Sinopse: “Antes de decifrar O Código Da Vinci´, Robert Langdon, o famoso professor de simbologia de Harvard, vive sua primeira aventura em Anjos e Demônios, quando tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano. Às vésperas do conclave que vai eleger o novo Papa, Langdon é chamado às pressas para analisar um misterioso símbolo marcado a fogo no peito de um físico assassinado em um grande centro de pesquisas na Suíça. Ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura macabra no corpo da vítima – um ambigrama que pode ser lido tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo – é dos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há quatrocentos anos. A antiga sociedade ressurgiu disposta a levar a cabo a lendária vingança contra a Igreja Católica, seu inimigo mais odiado. De posse de uma nova arma devastadora, roubada do centro de pesquisas, ela ameaça explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro cardeais mais cotados para a sucessão papal. Correndo contra o tempo, Langdon voa para Roma junto com Vittoria Vetra, uma bela cientista italiana. Numa caçada frenética por criptas, igrejas e catedrais, os dois desvendam enigmas e seguem uma trilha que pode levar ao covil dos Illuminati – um refúgio secreto onde está a única esperança de salvação da Igreja nesta guerra entre ciência e religião. Em Anjos e Demônios, Dan Brown demonstra novamente sua extraordinária habilidade de entremear suspense com fascinantes informações sobre ciência, religião e história da arte, despertando a curiosidade dos leitores para os significados ocultos deixados em monumentos e documentos históricos.”

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    Dan Brown sem dúvida nenhuma é capaz de uma narrativa cheia de surpresas e mistérios, além de algumas provocações sutis. Antes do polêmico Código Da Vinci, Brown demonstrou essa sua capacidade no livro Anjo e Demônios. A primeira aventura do professor Robert Langdon, o melhor e mais famoso personagem do autor, é uma obra emocionante, é um suspense surpreendente, que prende o leitor do início ao fim, o que é umas das marcas das histórias do autor.

    Robert Langdon, um simbologista e professor de História da Arte em Harvard, é enviado até um centro científico na Suíça, o CERN, para analisar um símbolo marcado à fogo no peito de um cientista assassinado. Ele descobre a partir daí queque uma antiga sociedade secreta, os Illuminati, está ressurgindo para executar sua vingança contra a Igreja Católica. Uma nova arma é roubada do laboratório do CERN e é escondida em um lugar oculto na Cidade do Vaticano em pleno dia de Conclave. Além disso, os quatro cardeais mais cotados para ser o novo Papa foram sequestrados. A cada hora a partir das 8h,um deles  será assassinado e à meia-noite o Vaticano será destruído. Cabe a Robert Langdon e  a cientista italiana Vittoria Vetra impedir essa grande desgraça.

    A narrativa do livro é super envolvente. O mistério aumenta a cada página, prendendo o leitor à trama intensamente. Mal dá para falar da descrição dos cenários: é quase perfeita. O autor nos leva em uma viagem por Roma e pelo Vaticano muito real. E também vale ressaltar  a pesquisa do autor. Os elementos históricos do livro são impressionantes, o que é um prato cheio para quem gosta muito de História, como eu.

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Dan Brown

 Acompanhar o desenvolvimento do personagem central, Robert, é muito interessante. Os acontecimentos inesperados e extremos fazem surgir nele uma coragem que nem ele sabia que tinha. Sem falar na incrível inteligencia de Langdon, capaz de resolver  enigmas dificílimos e ter um enorme conhecimento de História. A protagonista feminina não deixa a desejar. Vittoria é uma mulher forte, determinada, segura de si e também super inteligente. Até mestre em ioga ela é. Os vários outros personagens são ótimos, como Maxmiliam Kholer, o Comandante Olivetti e o Camerlengo Carlo Ventresca.

    O livro tem cenas de ação muito boas e bem descritas. A trama é praticamente uma corrida contra o tempo, o que só aumenta a tensão e o suspense do livro. Mas são as reviravoltas na narrativa que mais emocionam e surpreendem o leitor. Acontece uma reviravolta importante logo após a outra.

    O que não me agradou no livro foi um elemento narrativo presente em Fortaleza Digital que é repetido nesse livro, que é pegar um personagem, fazer com que ele pareça bonzinho, mas na verdade ele é o grande vilão da história. Não que atrapalhe a trama, ao contrário, dá um desfecho incrível para o livro, mas eu acho que o autor poderia ser mais original nesse aspecto. Mas vou avisando que o autor repete essa mesma fórmula em outro livro seu, Ponto de Impacto. Não posso falar de outros por que esse foram os únicos livros do autor que li até hoje.

    Mas o livro com certeza é diversão garantida. Acompanhar essa aventura cheia de mistérios, segredos, História, Ciência e Religião é uma grande aventura. Vale a pena conferir esse livro.

    Eu também recomendo a adaptação do livro de 2009 do diretor Ron Howard e com Tom Hanks no papel de Robert Langdon. O filme é bom, mas é muito perceptível as diferenças gritantes entre a história do filme e a história do livro.

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Nota: 8,5/ 10

É isso pessoal. Desculpe pela resenha meio desleixada. É que hoje pode se dizer que eu estou com um bloqueio criativo feio, mas eu não podia deixar de postar alguma coisa hoje. Nos comentários você pode colocar sua opinião sobre a resenha, diga se gostou ou não gostou, diga o que você acha que possa melhorar, alguma sugestão para uma próxima resenha, uma crítica, uma bronca, algo construtivo para podermos melhorar o blog. Obrigado por lerem. Até logo.

Filipe Faria

Resenha: Uma Princesa de Marte – Edgar Rice Burroughs

 uma-princesa-de-marte-editora-aleph-398x600   Título: Uma Princesa de Marte

    Título Original: A Princess of Mars

    Autor: Edgar Rice Burroughs

    Páginas: 272

    Editora: Aleph

    Ano de Lançamento: 1917

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    Sinopse: “A história conta a saga de John Carter, um veterano da guerra civil americana que de forma inesperada vai parar em Marte, ou Barsoom, como é chamado por seus habitantes, e é capturado por uma estranha raça de marcianos Tharks. O planeta agoniza pela falta de água e de ar, povoado por criaturas assustadoras e envolvidas em disputas internas. Graças à diferença gravitacional de Marte em relação à Terra, Carter adquire habilidades incomuns e acaba ganhando o respeito e a amizade dos habitantes. Também conhece Dejah Thoris, princesa de uma nação rival, por quem se apaixona e luta incessantemente.”

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    Aproximadamente 97 anos atrás, o escritor americano Edgar Rice Burroughs lançou seu primeiro livro de ficção científica, Uma Princesa de Marte. O que ele não sabia era o quão influente sua obra seria para muitos outras obras e autores de grande destaque, embora sua própria obra tenha caído no esquecimento do publico em geral. Você talvez não tenha ouvido falar de Burroghs, mais talvez tenha ouvido falar de H. G Wells (autor de Guerras dos Mundos) ou Ray Bradbury (autor de Fahrenheit 451), dois ícones da ficção científica que foram influenciados por Burroughs. Provavelmente, sem o livro Uma Princessa de Marte, grandes sucessos como Star Wars e Avatar teriam sido bem diferentes, ou talvez nem tivessem acontecido. Até as histórias do Superman tem uma pitada de influência do autor.

    O que me deixou irritado foi o fato de essa obra só ter sido publicada no Brasil em 2010, décadas depois do livro original. Então, no Brasil quase ninguém sabia da existência desse livro, embora o autor já fosse conhecidos por aqui por ser também o criador do famoso personagem Tarzan. Mas essa não é uma história do “Rei das Selvas”. O livro conta as aventuras do Capitão John Carter, que misteriosamente é transportado para o planeta Marte. Lá ele encontra alienígenas e se mete em batalhas épicas.

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Edgar Rice Burroughs

    Os pontos interessantes dessa história é que ela não é como as histórias de ficção cientificas modernas. Não se passa em um futuro muito distante, onde existem tecnologia muito superior, onde se travam batalhas intergaláticas em uma galáxia milhões de anos luz distante da Terra. Essa história se passa alguns anos depois da Guerra Civil Americana e no nosso planeta vizinho Marte. O autor aborda diversos elementos da ficção científica de um jeito não tão difícil de compreender, mais ainda assim complexo.

    Depois de ser enviado até Marte ( ou Barsoom, que é o nome que os nativos dão ao seu planeta), Carter é capturado pelos Tharks, uma raça de  alienígenas verde e de quatro baços. Em meio a isso , John descobre novas habilidades. Devido as diferenças de gravidade de Marte em relação a Terra, Carter é super-forte e é capaz de dar saltos gigantescos, literalmente (os fãs do Superman vão notar a semelhança). Além disso ele disso ele acaba ganhando algumas habilidades telepáticas. Ele acaba se tornando um grande guerreiro, habilidoso nas lutas e duelos com espadas. Então ele é aceito pelos Tharks como um “membro” de sua tribo e se torna braço direito do poderoso guerreiro  Tars Tarkas.

    Ele é acompanhado por Sola, a filha de Tars, e Woola, um monstrinho parecido com um cachorro.  Eles se tornam parceiros leais de John. Mas a outra personagem que se destaca é o par romântico do protagonista, a  linda princesa Dejah Thoris, da cidade marciana de Helium. Ao contrário dos gigantes verdes Tharks, Dejah é de uma raça marciana parecida com os humanos, o que colabora para a paixão de John. Por ela é que John faz as maiores proezas do livro. A princesa é descrita como uma mulher forte, determinada, inteligente e uma habilidosa gurreira, bem diferente das  princesinhas indefesas que são bem populares. Os vilões também são interessantes. Além de terríveis monstros marcianos, existem vários líderes políticos que fazem de tudo para ter poder, os quais John tem que combater.

    Os pontos mais emocionantes são as lutas. As habilidades de John o fazem um dos guerreiros mais poderosos da literatura. Há cenas de lutas no livro. A tecnologia marciana também é curiosa. Emboras eles lutem com espadas, os marcianos possuem armamento parecido com armas à laser. Ele também possuem naves voadoras, embora eles não tenham navios, pois os Oceanos há muito secaram. A trama possui outro elementos de interesse, como a guerra entre Helium e Zodanga, um conflito para dominar Barsoom, os problemas com a atmosfera do planeta, que está aos pouco se desfazendo, e os conflitos tribais dos Tharks. O modo como o terráqueo tem que se portar diante e tantos conflitos de civilizações marcianas é um ponto muito curioso da história.

    Tudo é muito bem explorado, embora se prender muito em cenas de ação seja um dos pontos negativos do livro. Mas depois de muitas aventuras e perigos quando o leitor espera um final feliz, em que John e Dejah vão viver juntos e felizes em um palácio em Helium, e esperando seu filho nascer quebrando a casca de seu ovo (sim, as fêmeas da raça de Dejah botam ovos), um acontecimento inesperado dá um gás novo para o desfecho da trama. O final é realmente surpreendente. O leitor chega até a ficar indignado com o azar de John. Mas uma expectativa pela  sequência fica bem latente.

    O leitor atento e bem informado vai perceber quais os pontos dessa história influenciaram outras grandes obras. Vale a pena conferir o livro. Infelizmente, a série Barsoom, composta de 11 livros, só tem os três primeiros publicados no Brasil. Então ainda não podemos ter acesso a todas as aventuras Barsoonianas, mas espero que no futuro os demais livros sejam publicados.

Nota: 8,5/10

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    Eu também recomendo a adaptação cinematográfica do livro feita em 2012 chamada John Carter-Entre Dois Mundos. A adaptação não é muito fiel ao livro, mudando bastante o enredo  e mostrando elementos que só seriam apresentados no segundo livro da série, Os Deuses de Marte. Mas eu achei o novo ponto de vista para história bem interessante, e um meio bem legal de trazer o personagem para o conhecimento de mais pessoas que nunca se que ouviram falar dessa história.

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Cartaz do filme de 2012

Espero que vocês tenham gostado da resenha. Nos comentários você pode colocar sua opinião sobre a resenha, diga se gostou ou não gostou, diga o que você acha que possa melhorar, alguma sugestão para uma próxima resenha, uma crítica, uma bronca, algo construtivo para podermos melhorar o blog. Obrigado por lerem. Até logo.

Filipe Faria

Resenha: A Invenção de Hugo Cabret – Brian Selznick

a-invencao-de-hugo-cabret-brian-selznickTítulo: A Invenção de Hugo Cabret

Título Original: The Invention of Hugo Cabret

Autor: Brian Selznick

Páginas: 534

Editora: Edições SM

Ano de Lançamento:  2007

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Sinopse: “Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo toma conta dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento das máquinas.

A sobrevivência de Hugo depende do anonimato:ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto.

Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e uma homem mecânico estão no centro desta
intrincada e imprevisível história, que, narrada por textos e imagens, mistura elementos dos quadrinhos do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.”

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Eu ganhei esse livro no Natal de 2011 de um primo meu. Mas eu não sei o motivo de eu ter esperado tanto tempo para ler esse livro. Eu me arrependi de não ter lido mais cedo. A Invenção de Hugo Cabret é uma incrível e emocionante história que proporciona ao leitor uma experiência de de leitura singular e inovadora, capaz de cativar a todos os tipos de leitores.

O escritor americano Brian Selznick nos conta a história de um menino órfão, Hugo, que vive escondido na estação central de trem em Paris na década de 1930. O pai de Hugo morreu em um incêndio. Ele foi morar com o tio, que era o relojoeiro da estação de trem, quem mantinha todos os relógios da estação funcionando. Mas um dia seu tio desaparece, deixando-o sozinho. Agora, todos os dia Hugo deve trabalhar na manutenção dos relógios para que ninguém desconfie que seu tio desapareceu e que ele está sozinho. Em parte ele não quer ser pego pelo Inspetor da estação e  ser levado para um orfanato, mas por outro lado, ele esconde um misterioso segredo que pode pode revelar-lhe as respostas que deseja, mas esse segredo está “trancado” e a chave perdida.

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Brian Selznick

O grande barato do livro são as ilustrações. Nesse livro as ilustrações não são um complemento para obra. Elas fazem parte da narrativa. Muitas cenas não são descritas com palavras, mas pelos desenhos do próprio autor. O leitor deve “ler” os desenhos. O leitor então é embarcado es ma experiência de leitura nova, em que ele palavra e ilustrações. O livro tem 534 páginas, mas a leitura se torna rápida, leve, agradável e fluída. Sem contar que todos os desenhos são lindos, bastantes sombrios e melancólicos.

Mais a história em si também é emocionante. Acompanhar o cotidiano de Hugo, viver junto dele seus dramas e acompanhar o mistério em relação ao seu passado e também seu futuro. O leitor fica cativado e apegado ao personagem.

Os demais personagens também são muito bem retratados. A inteligente Isabelle, que acompanha Hugo em suas desventuras, é uma personagem muito interessante. O tio de Isabelle, o cruel dono da loja de brinquedos é cercado de mistério e dúvidas, e está relacionado intimamente com o segredo de Hugo, embora nenhum dos dois saibam disso. O Inspetor da estação é outro personagem interessante, e é divertido e agoniante as perseguições dele atrás de Hugo.

O leitor se surpreenderá com as revelações e reviravoltas impressionantes da trama. A sutiliza e a perspicácia com que o segredo de Hugo é desvendado e como os elementos para tal são achados e apresentados é são pontos chaves da narrativa. O leitor com certeza vai gostar do final encantador.

O livro é uma grande homenagem a arte de contar histórias e ao cinema. Uma história intricada a princípio, mas que se revela simples e bela no final. Os cenários, a trama, os personagens são memoráveis. O livro me fez refletir bastante no porque do meu amor por histórias, tantos escritas como as contadas e assistidas. É uma leitura excepcional. Vale a pena conferir esse livro.

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Eu também recomendo a adaptação do livro de 2011 do brilhante diretor Martin Scorsese. O filme transmite de uma forma muito fiel ao livro as mesmas emoções da história original, embora colocando seus próprios elementos, que não atrapalham a história, mas só fazem aumentar seu brilho.

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Cartaz do filme de 2011

Nota: 9/10

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Filipe Faria